It was designed between 1954 and 1955 by Oscar Niemeyer and never realized. It was designed in the form of an inverted pyramid, and proposed to be placed on a cliff in the neighborhood of Colinas de Bello Monte high above the Central Zone of Caracas. The proposed structure would be entirely opaque without a visual connection to its surroundings from the interior; natural light would only enter the building via a glass ceiling. An electronic system was used to keep lighting conditions unchanged throughout the day using artificial light to complement it. The interior, however, was more recognizably done in Niemeyer’s mode, with cat-walk ramps linking the different levels and the mezzanine made as a free-form slab hung from ceiling beams.

Description in Portuguese | Oscar Niemeyer

“(…) O projeto que hoje apresento foi estudado dentro deste espírito. Não me bastava uma obra bem realizada e atendendo corretamente a sua finalidade; desejava, também, dentro das minhas possibilidades, que constituísse, pela pureza de sua forma, qualquer coisa de novo e característico, exprimindo ao mesmo tempo a técnica contemporânea e o movimento moderno na Venezuela.

Certos temas apelam para o caráter monumental da arquitetura, a fim de expressar, digna e majestosamente, seus elevados objetivos – neste caso se situa o Museu de Arte Moderna de Caracas. Por outro lado, o ambiente local e a posição dominadora em que a construção será levantada exigiam uma obra simples, a se destacar, ousada e pura, na paisagem. A solução encontrada decorre precisamente das condições objetivas do problema: da paisagem local assim como da conformação e das dimensões de certo modo reduzidas do terreno, que sugeriam uma forma compacta, capaz de preservar espaços livres indispensáveis e garantir ao museu a monumentalidade procurada.

Da conveniência de centralizar os apoios nasceu a forma plástica, simples e espontânea, com a lógica irresistível dos organismos vivos, permitindo maiores áreas úteis nos pavimentos superiores destinados às exposições, reduzindo no térreo a zona ocupada pelas estruturas e criando para as salas do museu grande flexibilidade de iluminação. Plasticamente, procuramos acentuar o aspecto fechado do exterior, com a previsão de apenas reduzidas aberturas necessárias a uma determinação de escala. Deste modo, estabelecemos um contraste com o interior mais aberto, criando para os visitantes uma agradável sensação de surpresa.

O prédio do Museu de Arte Moderna de Caracas está, portanto, provido de luz zenital, controlada por meio de placas de concreto e elementos difusores, dentro de um sistema que manterá, eletronicamente, sem transição do dia para a noite, o índice de iluminamento. Essa iluminação constituirá, naturalmente, uma iluminação de base a ser auxiliada, em certos casos, por elementos de luz artificial. As paredes inclinadas darão, internamente, aos salões, um aspecto singular de fuga e profundidade. Servirão, ainda, para efeitos magníficos de reflexão de luz, nada tendo a ver com as placas e divisões removíveis, que permitirão todos os arranjos necessários às exposições.

O edifício é constituído de cinco pavimentos, a saber: semi-enterrado – serviços gerais; primeiro pavimento – auditório; segundo pavimento (nível da entrada) – ‘foyer’ e direção; terceiro pavimento – salão de exposições; quarto pavimento – sobreloja; quinto pavimento – cobertura e exposição de escultura.

A estrutura, com os cálculos já terminados, será de grande simplicidade. Duas lajes de concreto de seis centímetros cada uma, com afastamento de noventa centímetros de uma para outra, ligadas de metro em metro por nervuras inclinadas, formando duplo T, constituirão o arcabouço da obra, do qual os pavimentos serão parte integrante. A sobreloja, suspensa em quatro colunas-pêndulo e tirantes longitudinais, deixará completamente livre de suportes o grande salão de exposições com cerca de quatro mil metros quadrados, transferindo logicamente todos os esforços para a base da construção. Eis aí as considerações gerais que desejava fazer sobre este projeto, elaborado com especial carinho, mas sujeito, como todas as manifestações humanas, a falhas e incompreensões.”